Eu é que não ficaria fora desta festa, não é mesmo? Então vou aqui dar minhas opiniões brilhantes, definitivas e que somente idiotas para não seguir e conquistar o sucesso... Na verdade não vou dar o caminho da glória, apenas indicarei o que creio ser a questão crucial: O porquê do Liberalismo não "pegar" no Brasil.
O Liberalismo econômico nunca pegou por aqui. A questão é: Há como pegar? A minha resposta é tristemente enfática: Não!
Antes de moldar a realidade talvez seja uma boa tentar compreendê-la. O marxismo domina os meios acadêmicos e jornalísticos e o ódio de classes que se assemelha muito ao marxismo domina o povão .Estas forças dominantes não atingiram este status por desvio de caráter das pessoas, muito menos por uma maldade detalhadamente pensada para dominar a política, o mundo, ou o que quer que seja.
Pensando nas pessoas simples, que são maioria e por isto importam analisar, é uma tendência natural que se sintam atraídas por uma forma arcaica de socialismo. Para quem não está no topo do mundo é reconfortante pensar que ele se divide entre pessoas boas que são oprimidas pelas pessoas más, e que estas por sua vez dominam o mundo justamente usando sua força contra os bons-pobres. Este reducionismo dos pobres-sofredores-batalhadores-bons contra os ricos-usurpadores-malvados é eficiente o bastante para levar na conversa não só os descamisados, mas também muita gente com anos de estudo.
Há ainda outra vertente deste pensamento popular que tem alta penetração por aqui: A de que o Governo deve dar tudo às pessoas e que quem vai mal na vida financeira é vítima da falta de assistência do Governo. Mas nem neste caso o Governo é visto como mau, como algo a ser diminuído em poder de influência. Mais do que corrigir as injustiças que o Governo gera por seus privilégios a determinadas classes, o brasileiro em geral quer apenas fazer parte de uma destas classes privilegiadas. Assim, os deputados não querem que findem alguns privilégios exclusivos do Executivo ou do Judiciário, mas gozar dos mesmos; Professores não querem que se derrubem as mordomias dos altos cargos, mas ter acesso aos mesmos. Busca-se uma igualdade de privilégios injustos, não o fim das injustiças irrestritamente.
Já por outro lado, qual seria a pregação do liberalismo? Oras, a de que você é responsável pelos seus atos, e de que o Governo não deve interferir na sua vida. A de que você pode se dar mal sim, que isto faz parte do jogo. Pensando que qualquer multidão é composta em sua maioria por derrotados, não por vencedores, e que raramente estamos no topo de alguma coisa que não seja exclusivamente nossa, fica difícil defender a valorização da meritocracia. Tanto mais se estamos imersos numa sociedade de tradição patriarcal e cuja vitimização é parte fundamental da nossa identidade.
Contra todo este ambiente hostil, o Libertários conseguiu passar pelos trâmites burocráticos e já está pronto para disputar eleições. Cabe agora não se fechar em fundamentalismos que só calam fundo a já convertidos, juntar pragmatismo e oportunismo ( sim, OPORTUNISMO ) eleitoral para deixar de ser mais um pequeno exótico. Fórmulas mágicas e palpites geniais existem aos montes espalhados por aí, e administrar também toda esta ansiedade e afobação é outro desafio posto ao partido. Resta então torcer para que os responsáveis pelo partido façam as escolhas certas e se lembrem que, se não dá para moldar o pensamento da população, muito menos trocá-la, que encontrem a convergência entre seus objetivos primordiais e o do povo.


uma vez que não se cansam de anunciar com antecedência as ações do presidente mestiço. Vai à África, anuncia-se que fará um discurso histórico. Vai ao Congresso, aguarda-se outro. Há até casos de artigos que