8.2.10

Contra a irredutibilidade do Liberalismo

Sim, tem havido um debate bom blogosfera e foruns afora por conta da fundação do partido Libertários, primeiro partido com ideologia aberta e declaradamente liberal.
Eu é que não ficaria fora desta festa, não é mesmo? Então vou aqui dar minhas opiniões brilhantes, definitivas e que somente idiotas para não seguir e conquistar o sucesso... Na verdade não vou dar o caminho da glória, apenas indicarei o que creio ser a questão crucial: O porquê do Liberalismo não "pegar" no Brasil.

O Liberalismo econômico nunca pegou por aqui. A questão é: Há como pegar? A minha resposta é tristemente enfática: Não!
Antes de moldar a realidade talvez seja uma boa tentar compreendê-la. O marxismo domina os meios acadêmicos e jornalísticos e o ódio de classes que se assemelha muito ao marxismo domina o povão .Estas forças dominantes não atingiram este status por desvio de caráter das pessoas, muito menos por uma maldade detalhadamente pensada para dominar a política, o mundo, ou o que quer que seja.
Pensando nas pessoas simples, que são maioria e por isto importam analisar, é uma tendência natural que se sintam atraídas por uma forma arcaica de socialismo. Para quem não está no topo do mundo é reconfortante pensar que ele se divide entre pessoas boas que são oprimidas pelas pessoas más, e que estas por sua vez dominam o mundo justamente usando sua força contra os bons-pobres. Este reducionismo dos pobres-sofredores-batalhadores-bons contra os ricos-usurpadores-malvados é eficiente o bastante para levar na conversa não só os descamisados, mas também muita gente com anos de estudo.
Há ainda outra vertente deste pensamento popular que tem alta penetração por aqui: A de que o Governo deve dar tudo às pessoas e que quem vai mal na vida financeira é vítima da falta de assistência do Governo. Mas nem neste caso o Governo é visto como mau, como algo a ser diminuído em poder de influência. Mais do que corrigir as injustiças que o Governo gera por seus privilégios a determinadas classes, o brasileiro em geral quer apenas fazer parte de uma destas classes privilegiadas. Assim, os deputados não querem que findem alguns privilégios exclusivos do Executivo ou do Judiciário, mas gozar dos mesmos; Professores não querem que se derrubem as mordomias dos altos cargos, mas ter acesso aos mesmos. Busca-se uma igualdade de privilégios injustos, não o fim das injustiças irrestritamente.
Já por outro lado, qual seria a pregação do liberalismo? Oras, a de que você é responsável pelos seus atos, e de que o Governo não deve interferir na sua vida. A de que você pode se dar mal sim, que isto faz parte do jogo. Pensando que qualquer multidão é composta em sua maioria por derrotados, não por vencedores, e que raramente estamos no topo de alguma coisa que não seja exclusivamente nossa, fica difícil defender a valorização da meritocracia. Tanto mais se estamos imersos numa sociedade de tradição patriarcal e cuja vitimização é parte fundamental da nossa identidade.
Contra todo este ambiente hostil, o Libertários conseguiu passar pelos trâmites burocráticos e já está pronto para disputar eleições. Cabe agora não se fechar em fundamentalismos que só calam fundo a já convertidos, juntar pragmatismo e oportunismo ( sim, OPORTUNISMO ) eleitoral para deixar de ser mais um pequeno exótico. Fórmulas mágicas e palpites geniais existem aos montes espalhados por aí, e administrar também toda esta ansiedade e afobação é outro desafio posto ao partido. Resta então torcer para que os responsáveis pelo partido façam as escolhas certas e se lembrem que, se não dá para moldar o pensamento da população, muito menos trocá-la, que encontrem a convergência entre seus objetivos primordiais e o do povo.

4.2.10

Clint Eastwood aos 37

Sei lá, consciência pesada por não ter louvado filme de um dos maiores ídolos vivos, pretendo agora me redimir.
No YouTube achei esta pequena preciosidade, uma breve entrevista de Clint Eastwood à BBC em 1967.
Enjoy it

Invictus

Vi o último filme de Clint Eastwood agora em cartaz, "Invictus".
Como sempre faço em filmes que me interesso, não li nenhuma crítica ou análise, passo apenas pelos trailers no YouTube, assim esta crítica não tem influência do que um ou outro crítico possam ter dito por aí. E em respeito a quem ainda não viu, garanto que abaixo não há grandes revelações sobre o roteiro, nada que estrague a descoberta do espectador.

A começar, Invictus é um filme recomendado. Ele empolga, prende a atenção e traz informações de uma época recente e verdadeiramente histórica. Surpreende o fato do filme não ter sido mais divulgado, creio que teria grandes potenciais comerciais para explorar. Ainda mais se pensarmos no timing do filme: Este ano é aquele em que descobriremos a África do Sul por conta da Copa do Mundo.

"Invictus" tem dois protagonistas: O Rugby e Nelson Mandela. E mostra como o líder usou o esporte para tentar unir os povos de seu país.
Para quem gosta ou conhece de Rugby, é um deleite só. Todos os cuidados foram tomados para retratar reverentemente o esporte. Os ângulos e a velocidade das câmeras foram perfeitos: Quando eram mostrados os jogos você não tinha a frieza ou obviedade dos ângulos televisivos, mas também não houve uma profusão de closes e câmeras lentas, que prejudicam muito a percepção da ação em campo. O Terceiro Tempo, o Haka e o temor aos All Blacks, jogadores machucados, brigas breves que não impedem o respeitoso cumprimento ao fim do jogo, está tudo lá bem representado.
Para quem conhece de Rugby ( e eu acompanho o esporte há uns 3 ou 4 anos )o clímax e o final do filme eram previsíveis, e aqui fica mais um mérito do diretor ao, mesmo assim, conseguir causar sustos e surpresas em toda a audiência. Particularmente há uma cena muito tensa e aterrorizante que me fez ficar em dúvida se aquilo ali aconteceu de fato ou era apenas um pequeno detalhe incluído.
O problema do filme,que acaba prejudicando e muito no resultado final é o Nelson Mandela de Morgan Freeman. Primeiro porque há anos que Morgan Freeman invariavelmente interpreta o mesmo papel: De um velho sábio, ponderado, de poucas e certeiras palavras. De cabeça lembro aqui dele no papel de Deus ( Todo Poderoso ), de Lucius Fox ( Batman - Cavaleiro das Trevas ), Carter Chambers ( Antes de Partir ) e até mesmo de seu papel em outro filme recente de Clint Eastwood, Menina de Ouro. Já como Nelson Mandela o negócio chega ao extremo da irritabilidade: Mandela está sempre certo, é sempre sábio, é perfeito. Mesmo quando há um momento em que sua fraqueza é exposta o fato é mostrado de forma virtuosa: Sua fraqueza é exposta por consequência de seu voluntarismo. Fica parecendo aqueles idiotas de auto-ajuda viciados em manuais de inteligência corporativa que, em uma exposição ou entrevista, dizem que seu maior defeito é o perfeccionismo. Mandela, ou Dibala, é tão ou mais unidimensional do que o Lula do filme, ao menos no que se percebe das críticas que li por aí.
No fim das contas, é um filme muito acima da média geral, embora não acima da média dos trabalhos de Clint Eastwood. Mesmo carregando muito nos aforismas pretensiosos e cansativos de Nelson Mandela, a escolha de cenários, o breve foco em personagens secundários para mostrar a evolução e a mudança provocada pelos fatos narrados no filme provam que Clint Eastwood ainda tem aquele diferencial em relação a outros diretores. E se ele já se acostumou a emocionar seu público, neste filme consegue fazer com que o público vibre e comemore quase como se estivesse vendo mesmo uma partida de Rugby.
Invictus merece ser visto. Como todos os discos de Dylan, como todos os jogos de Federer, por reverência devemos acompanhar os filmes de Clint Eastwood pois nunca sabemos quando perderemos o privilégio de vê-los em ação. E se esta não é uma obra digna de fechar sua carreira, não há problemas, em breve virá Hereafter...

2.2.10

A pesquisa VoxPopuli flagrada pelo Coturno

Espero que todos já tenham lido ao menos algum dos posts que o Coronel fez sobre a pra lá de fajuta pesquisa Vox Populi.
Alguns links:


Primeiro de tudo é necessário parabenizar o Coronel por seu trabalho único na blogosfera brasileira. A informação tava ali, estava tudo disponível, bastava a qualquer um fazer o que ele fez: Checar os fatos.
Só a ressalva que faço é com relação a alguns dos pontos levantados na série de posts. Por exemplo, não acho válido fazer associações entre cidades administradas por partidos da base de Lula e cidades administradas por partidos de oposição.
Como Lula tem 90% dos partidos em sua base aliada, é muito óbvio que a maioria das cidades pesquisadas estará nas mãos de algum partido de sua base. Ainda assim, o fato de uma cidade ter um prefeito de partido da base aliada não a torna necessariamente uma cidade petista/lulista. Isto fica claro analisando-se alguns casos de cidades do Estado de São Paulo que estão listadas neste post "São Paulo afoga Lula em um mar de sorte". Alguns critérios usados na crítica creio serem incorretos.
Por exemplo, não dá para condenar uma pesquisa por incluir São Bernardo do Campo em seu campo de pesquisa. Como se não bastasse ser a mais populosa da Região do Grande ABC ( micro-grupo de cidades também conhecido por "7 cidades", é também a 3a cidade mais populosa do Estado de São Paulo.
Há outras questões relevantes. O fato da cidade ser administrada por partido da base lulista pode não evidenciar, mas há cidades que são claramente anti-petistas! Vou tratar de alguns bons exemplos:

Santo André: É governada por um candidado do PTB. O PTB nacionalmente é lulista, mas em São Paulo é Serra e PSDB há décadas! E se há uma característica das eleições na cidade é o anti-petismo.

Santos: É governada por um político do PMDB. O PMDB nacionalmente é lulista, mas em São Paulo é Serra e PSDB. Se há uma característica das eleições na cidade é o anti-petismo, desde que o finado David Capistrano recebeu das mãos de Telma de Souza o governo da cidade na primeira metade dos anos 90. E o atual prefeito, Papa, eleito no primeiro turno, contou com amplo apoio dos tucanos e do próprio Serra. O caso de Santos é tão bizarro, o anti-petismo é tão forte que a estratégia para tentar melar a eleição foi Mariângela Duarte, petista histórica, migrar para o PSB e também se candidatar para ao menos tentar forçar o segundo turno. E o mais bizarro ainda: O PSB em Santos aliou-se ao DEM, uma petista histórica saiu candidata com um vice do DEM, e mesmo assim a população de Santos disse não e reelegeu Papa no primeiro turno.

Campinas: Desde a morte de Toninho do PT o partido perdeu força na cidade. Conseguiram para sobreviver aliar-se ao Dr.Hélio, do PDT, fazendo a vice, mas daí a dizer que a cidade é petista há uma grande diferença.

Imagino que se isto acontece nestas grandes cidades de São Paulo, deve ser o mesmo Brasil afora. Será que o PMDB em Minas pode ser chamado de lulista? E na Bahia, com a migração do carlismo para o PMDB, será que as cidades tornaram-se mais lulistas do que carlistas?
Enfim, o que quero mostrar é que a Pesquisa VoxPopuli tem vícios gritantes, especialmente na apresentação das fichas com os nomes dos candidatos. Estender a acusação a uma escolha seletiva dos municípios precisaria de alguns critérios subjetivos ( uma cidade é lulista ou não? O que torna a cidade propensa ao lulismo? A prefeitura? Resultados nas eleições 2006? ) ou análise comparativa de dados objetivos ( quais cidades foram usadas em outras pesquisas? Quais os pesos destas cidades em outras pesquisas deste ou de outros institutos).

Este detalhe não diminui o bom trabalho do Coturno e as más intenções claras do VoxPopuli. E só uma coisa explica o silêncio da Oposição frente ao grave flagrante: Eles não querem condenar serviços dos quais podem precisar!

Precisamos de um Chuck Norris

Eu também ri muito com as piadinhas que rolaram há alguns anos quanto aos "Chuck Norris facts". Aliás, ainda hoje elas são refeitas e adaptadas.
O que pouca gente sabe é que Chuck Norris publicou um livro com a sua seleção dos seus 101 preferidos "Chuck Norris Facts"
O que pouca gente sabe é que Chuck Norris é um autor de livro político. Por exemplo, ele publicou recentemente o "Black Belt Patriotism". Segundo a Wikipédia, o livro inicia listando os oito grandes problemas que mais ameaçam os EUA.
O que pouca gente sabe é que Chuck Norris também se aventurou pelo campo da ficção, publicando em conjunto com outros algumas novelas.


Agora, o que as pessoas precisam saber também é que Chuck Norris é um colunista político muito bom de se ler. E não, eu não estou brincando: CHUCK NORRIS É UM BOM COLUNISTA CONSERVADOR!Inicialmente no WorldNetDaily, suas colunas são publicadas em diversos jornais pelos EUA e podem também ser acompanhadas pelo Townhall.com. Tem até e-mails para entrar em contato...

Sei que isto deve dar motivo a risadas histéricas de coolbloggers, esquerdistas e outras estirpes aí, mas é sim engraçado e bom ler o que ele escreve.
Por exemplo sua última coluna, "God save the US and our courts": Trata de um assunto muito caro ao agora colunista que é a fidelidade aos ideais dos "Founding Fathers" . Chuck Norris alerta para a necessidade de se combater os liberais ( liberais de lá, minha gente. Tipo assim, social-democratas, entendem? ) não só nas cadeiras do Parlamento mas também nos tribunais. Se o Chuck Norris fala que alguém deve ser combatido, oras, este alguém deve se borrar na hora mesmo! Tanto melhor se este alguém tem ideais coletivistas, prega ampliação do Estado na vida da sociedade e, como alerta nosso herói, faz isto nas Cortes dos EUA, que têm fortíssima repercussão mundo afora.
Sim, eu sei que não temos "ideais de nação" de tempos antigos, ou grandes pensadores e fundadores de nossa identidade que mereçam ser defendidos e invocados em debates políticos. Sei também que aqui quando há políticos religiosos ou moralistas estes estão invariavelmente ligados a putarias ideológico-marxistas ou roubalheira organizada. Ambas, no mais das vezes...
Quando digo que precisamos de um Chuck Norris é porque, neste país de bundões por todos os lados e de oposição cheia de não-me-toques, valeria muito ter como aliado na oposição ao esquerdismo alguém que os amedrontasse. Metaforicamente ou não!

29.1.10

Chavez @ FoxNews

Como é que eu não vi este vídeo antes?
Nós temos ali dois "extremos": De um lado o gorilão patético que é idolatrado pela pior esquerda ( acreditem, há gradações ) possível. Do outro, a emissora de viés republicana tida por patética, enviesada e tendenciosa só por não louvar Obama como as outras fazem, e por não chamar diariamente Bush de imbecil, como as outras faziam.
Bom, vejam o vídeo, tem até citação ao amigo Sean Penn


P.S.: Trabalho com uma venezuelana "auto-exilada" aqui há 2 anos. Sempre é muito triste ouvir dela os relatos sobre os parentes que estão lá e suas dificuldades. Nesta última semana, pela primeira vez em muito tempo, ela mostra-se animada e com esperança de mudança em curto prazo!

28.1.10

Like a tweet - Blogues

Não é verdade que tem uns blogues aí que ficam bem melhores quando NÃO têm novos posts?

27.1.10

Padre petista falando em línguas

Trecho lido na coluna de Mônica Bergamo, hoje na Folha de São Paulo:
"Pai nosso que estais no céu e sois nossa mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim..."


Comunista que usa o Cristianismo para suas putarias ideológicas? Vale para Freis o mesmo que Alborghetti disse de Edir Macedo ( só os primeiros 12 segundos, por favor!):

25.1.10

A História e a queda do Presidente histórico

A esta altura do campeonato todos já sabem do revés sofrido pelo partido de Obama na disputa pela cadeira no Senado vaga desde a morte de Ted Kennedy. Todos já sabem também que isto custará a Obama a tão arduamente trabalhada legislação para a Saúde, menina dos olhos do falecido senador e do atual presidente. À luz deste revés que devolveria definitivamente Obama ao mundo dos políticos, dos seres vivos normais, chamo a atenção para outro fato: Ainda está longe de chegar ao fim o presidente mais histórico dos Estados Unidos.
Não estou certo se pela abundância de informações ou se por um grande desejo represado por muitos anos de governo Bush, nunca antes na história da humanidade a História foi tão escrita a partir do passado como na era Obama. Explico-me: O normal é um fato político ocorrer, marcar época e com o passar do tempo todos perceberem que aquilo foi O marco fundamental em ocorrências subsequentes. A história sempre foi escrita olhando-se ao passado.
Com Obama é tudo diferente. A seguirmos o noticiário e desejo de jornalistas mundo afora, o Governo Obama seria um livro à parte em qualquer enciclopédia "Histórica". Desde o duelo com Hillary Clinton para conquistar a vaga democrata na disputa presidencial, não há um discurso ou ação de Obama que não seja tido por histórico! Nâo é de se surpreender que Obama tenha vencido o Nobel pela Paz "prévia" uma vez que não se cansam de anunciar com antecedência as ações do presidente mestiço. Vai à África, anuncia-se que fará um discurso histórico. Vai ao Congresso, aguarda-se outro. Há até casos de artigos que elogiam os discursos de Obama antes deles serem proferidos .


Google: Milhares de ocorrências ajudam a mapear a trajetória histórica dos discursos de Obama
Lula não teve nenhum discurso histórico registrado pelo Estadão.com.br

Como já dito, há nisto muito de simpatia e tietagem jornalística. Nem mesmo a insurreição popular, que já é um fato no Governo Obama, deve bastar por enquanto para que a imprensa o coloque no panteão dos políticos normais e falíveis. Se acompanhar o noticiário semelhante a informes de Secretaria de Imprensa foi algo aborrecido neste primeiro ano, a contrapartida tem sido divertir-se com o preventivo esfacelamento histórico do mais histórico dos presidentes já visto.

19.1.10

Quero ser Clóvis Rossi

Tem pouco tempo que desisti de Clóvis Rossi. E é curioso, foi próximo ao tempo em que a Folha desanimou com ele, ou vice-versa. Há algum tempo Clóvis Rossi deixou a gloriosa função de colunista quase-diário da primeira coluna de opinião da Folha de São Paulo. Como se diz, é um lugar que já foi ocupado por Fernando Henrique Cardoso, vai vendo o peso...
Eu gosto do estilo, discordo de muitas opiniões mas enxergava coerência até mesmo nas injustiças cometidas por ele. O que cansou foi sempre aquele ar afetado, de fadiga com a labuta e "tudo o que está aí". Novo escândalo? Vinha ele a dizer que era sempre assim ( e não é mesmo? ), que tudo acaba em pizza, que isto é Brasil e que não dá para ter muita esperança quanto a mudanças. Uma conferência internacional, um encontro entre chefes-de-Estado? Ia Clóvis como correspondente do jornal sempre a desqualificar em suas colunas o evento para o qual fora chamado a cobrir.
Desde que deixou a função de colunista da página 2, Rossi tem participado como analista do caderno "Mundo". E é agora, já na curva de sua carreira como colunista que ele tem seguido uma fórmula "nunca antes vista neste jornal", uma desfaçatez, ou preguiça, ou samba-de-uma-nota-só: Clóvis Rossi virou um apontador de matérias do jornal espanhol "El País"!
Vejam a lista de suas últimas contribuições ao jornal desde o fim do ano passado:
Neste período, apenas uma coluna dele ao caderno "Mundo", a de 16/01, não foi com citação ou baseada em algo lido no inestimável "El País".
Chato, né não? Repetitivo! Pouco inspirado. Pior, a preguiça atacou até mesmo sua coluna sob o portal Folha OnLine. Ali suas duas últimas colunas, ( Lições chilenas para o Brasil 2010 e O Haiti pode ser aqui ) também são inspiradas por algo do jornal espanhol.
Devem ser sinais... Cabe à Folha compreender que o outrora jornalista de ouro da casa está com a cabeça em outro lugar. Talvez na Catalunha, junto ao seu amado Barça de Messi & Cia. Não seria melhor então à Folha mandá-lo para a Espanha? Mais vale um correspondente internacional do que um enviado especial do "El País" instalado na Folha!