É muito divertido acompanhar esta tara cosmopolita pelo tal "cicloativismo". Você já deve ter visto algum protesto, lido algum manifesto, "petition online" ou mesmo hashtags duma gente muito engajada buscando uma cidade melhor e com mais qualidade de vida.
Tanto lugar comum do bom-mocismo tem razão de ser: Os cicloativistas não só querem promover a melhor mobilidade urbana, eles querem um mundo com menos monóxido de Carbono, menor consumo de combustíveis fósseis. Pague um e leve dois commodities das melhores intenções disponíveis. Você exercita sua consciência cidadã e ainda dá aquela olhada brava contra as grandes corporações capitalistas da indústria automotiva.
É curioso ver como ganha força um movimento que visa promover o uso da bicicleta no cotidiano justamente onde é mais arriscado e fora de sentido usá-las: A cidade de São Paulo. Embora não faça parte do horizonte desta gente maneira que gasta R$2 mil em suas ultraleves e modernas "bikes", a periferia de São Paulo reúne condições totalmente adversas ao uso útil das bicicletas como meio de transporte. A topografia é péssima, com bairros repletos de ladeiras e ruas curvadas, e o crescimento descontrolado gerou casas amontoadas com quase nada de calçadas e ruas curvilíneas, o que limita o campo de visão do ciclista e dos motoristas e gera os muitos carros guardados meio-a-meio ( parte na rua parte na calçada ).
Guarujá, um caso
Não falo isto por acaso. Como é comum em debates por aqui, preciso jogar logo minhas credenciais, até porque não sou jornalista, acadêmico ou intelectual ... Pois bem, moro em uma das cidades brasileiras com maior uso de bicicletas por habitante. Sabem todas aquelas condições adversas que citei quanto ao problema de se usar praticamente bicicletas em São Paulo? Eles quase não existem em Guarujá.
Embora também tenha visto um crescimento alucinado de favelas em suas bordas e morros,Guarujá tem vários eixos viários e bairros criados de uma forma mais ou menos planejada. As ruas são geralmente retas, quase todas são planas e os cruzamentos são em 90º. Por fim as distâncias são minúsculas, especialmente se comparadas às distâncias das periferias de São Paulo aos bairros mais civilizados.
É por isto que milhares de Guarujaenses vão ao trabalho, escola, mercado, banco, onde quer que seja, de bicicleta. Não é consciência cidadã, consciência ecológica ou proselitismo, é apenas necessidade. Também é uma questão de economia em dinheiro e tempo. E, a despeito da militância libertária e chique, a cidade não é um paraíso de harmonia no trânsito. A realidade é exatamente outra...
Você imagine a desconsideração por faixas de pedestre e semáforos que todos praticamos como pedestres somada à ousadia típica dos motociclistas. Imaginou? Isto é um ciclista urbano da vida real! Para piorar bicicletas não levam multas, não têm cadastro ou identificação única, não exigem equipamentos de segurança ou portam sinalizadores visuais para conversões, redução ou visualização noturna. Os trabalhadores que vão de bicicleta ao trabalho não têm equipamentos levíssimos, antioxidantes e de alta tecnologia, muito pelo contrário: a maioria tem bicicletas com mais de 5 anos de vida e provavelmente contendo peças de diferentes modelos. O ciclista de carne e osso que vai trabalhar está muito bem na foto quando tem uma BARRAFORTE, equipamento que dificilmente seria exibido com orgulho preso sobre o teto do carro em uma viagem de fim-de-semana.
O resultado é uma guerra não-declarada no trânsito de Guarujá, a verdadeira lei do cão. Como o motorista de um veículo 1.0 em subida da Serra, o ciclista precisa de um certo esforço para pegar "embalo" em seu veículo e faz de tudo para mantê-lo, trocando freadas por desvios laterais. Muitas vezes o desvio deste ciclista é feito invadindo a avenida e atrapalhando os motoristas ( Ruas não são a subida da Imigrantes com 4, 5 faixas e acostamento ). Arranhões, trombadas, tombos, colisões e atropelamentos acontecem diariamente. Só não ceifam vidas como o trânsito da Grande São Paulo pois a cidade é muito menor e as velocidades envolvidas também. Nem queiram imaginar o que seria transportar proporcionalmente este trânsito de bicicletas para uma das Marginais.
Voltando...
Como a maioria da minha cidade, uso a bicicleta regularmente. Minhas filhas andam de bicicleta no quintal e em praças e, quando eram bebês, uma das coisas que mais gostavam de fazer era passear em suas cadeirinhas conosco de bicicleta. As considerações que faço aqui quanto à vida real do trânsito repleto de bicicletas não são fruto de "ódio de motorista" ou qualquer outra coisa, são considerações práticas. Bicicletas não são uma saída para melhorar ou civilizar o trânsito em cidades que tenham as mesmas características de São Paulo: Grandes distâncias, superpopulação, topografia acidentada e vias irregulares.
Não são cicloativistas os que vão com suas ferramentas ao trabalho, deixam seus filhos em creches enquanto fazem faxina ou trabalhadores e estudantes de milhares de cidades pequenas ou periferias que usam a bicicleta para seu verdadeiro fim. Eles lamentam profundamente quando chove muito pois têm que usar o transporte coletivo e nessas horas sonham com o dia em que poderão ter seus carros para poderem andar com conforto.
Já o ciclista engajado com seu equipamento caríssimo exaltando a virtude de suas intenções é apenas um vaidoso que escolhe suas causas na prateleira do mercado "por um mundo melhor".





28 comments:
Toca aqui, Angelo! TRÊS meses em São Sebastião, com carro todo santo dia e rezando para um ciclista necessitado não invadir a sua seta... Um olho no retrovisor o tempo todo.
Já tive bicicleta quando morava na Lapa, e só muito AMOR mesmo pra me fazer subir até o Alto da Lapa. Hoje, encarapitada aqui na Heitor, nem pensar! Andar pelas quebradas é muito melhor e endurece o traseiro e as pernas bem mais rápido.
E lá vou eu assinar embaixo de novo. E imagina isso tudo no calor infernal do verão carioca :-).
Vejo que você entende "muito" de mobilidade urbana. Mais de 70% da área de São Paulo é plana. Segundo a OD (sabe o que é isso?) são 300 mil viagens de bicicleta e esse número é de 2007 e defasado, pois há regiões com muitos ciclistas e que marcam deslocamento 0.
A maioria dos ciclistas estão na periferia e usam a bicicleta como meio de transporte, 50% usam porque é o meio mais rápido, 20% porque o transporte é caro.
Os "cicloativistas" que você diz, realmente alguns são de classe média e tem bikes de 2 mil reais, mas se participar de uma bicicletada, vera que a grande maioria tem bikes simples e muitas vezes conseguem um bom valor agregado, pois o ciclista consegue economizar dinheiro da condução para gastar na bicicleta.
Em São Paulo, uma pessoa que usa só a bicicleta para se locomover, consegue deixar de gastar cerca de 200 reais por mês, o que gastaria com transporte público.
Conheço muito bem o Guaruja, não reclame da falta de educação de trânsito dos ciclistas, a maioria não tem carta e nenhum deles aprendeu legislação de trânsito nas escolas. Eles só "atrapalham" pois o sistema cicloviário de voces é péssimo e feito com uma lógica de que o ciclista atrapalhe, o menos possivel, os donos de carros.
Não sei como ainda não proibiram as bicicletas de circular aí, acho que é porque os bacanas não teriam quem limpasse suas sujeiras.
Antes de cuspir besteiras, vá pesquisar um pouco de mobilidade urbana, vá ver os bicicletários da CPTM lotados, conheça o Bicicletário de Mauá com mais de 1200 bicicletas dia.
Perder tempo pra criticar alguém que está defendendo uma cidade mais justa sem sequer se dar ao trabalho de tentar entender qual é a causa, pra mim não passa de trollagem de alguém que quer aparecer a custas de um movimento que só ganha força, só para parecer diferente.
Duvido sequer que esse comentário seja publicado, até porque acaba com toda essa sua argumentação que deve ter levado meses para ser escrita e 2 minutos para ser desmascarada.
José Ribeiro;
Estava eu lendo este post já pensando na resposta que eu daria aqui aos argumentos frágeis aqui expostos, quando de repente leio sei comentário.
Apoio em seu argumento José Ribeiro. Como ciclista e defensor do uso das bicicletas como uma das boas alternativas para desafogar o transito das cidades e ainda tornar a vida das pessoas menos estressantes, digo que, não tenho a ilusão de pensar que as bicicletas são a solução para o problema do transito e da poluição. A meu ver a bicicletas são apenas uma, dentre as muitas alternativas, tais como um transporte público de qualidade, vias preparadas para carros sim, mas que contemplem também os ciclistas.
Bem, não vou me estender... afinal, o que eu queria dizer já foi dito por você, caro José Ribeiro.
Até!!!
@prosaebicicleta
cara, se uma ponte, uma ladeira, uma rua esburacada ou com trânsito é um obstaculo pra você, consulte um cardiologista um um nutricionista, pois você deve ser um sedentário obeso com forte tendência a ter um infarto do miocárdio.
"Pobre aqueles que acham que os cicloativistas defendem a bicicleta como a solução para o caos urbano". A bicicleta não é e nunca será a solução, como o metro, o trem, o ônibus, o pedestre, o carro também não é. A única certeza é que TODOS os modais podem contribuir para a solução. Todos menos o carro.
José Ribeiro - Você já viu uma "bicicletada" no Capão Redondo? No Valo Velho? Quando tiver uma me chame que eu vou, sem problemas.
Não condeno os cicloativistas por serem desta ou daquela classe social, leia de novo e você vai ver que não é bem isto. Mas veja você o quanto é DISCRIMNATÓRIO em relação à população de Guarujá: Você acha que eles se comportam como se comportam por não terem tido aulas de trãnsito. Você provavelmente acha que os seus companheiros de bicicletada são melhores que os ciclistas de fato. Como eu previra no texto... Sua visão do Guarujá é totalmente equivocada e evidencia o que eu ressalto: Vocês que bloqueiam vias de bacana em São Paulo ficam putos da vida quando cruzam com as bikes que atrapalham seus passeios de verão no lugar em que mais há bicicletas circulando.
PS: Acho interessante isto que a Soninha tanto defende e promove e que vem sendo feito pela CPTM: Criar bicicletários para que as pessoas possam ir até as estações de bicicleta. Isto é um exemplo útil do incentivo às bicicletas. Já estas manifestações, com grito de guerra e gente se perfazendo não passam de masturbação ideológica
Italo Leonardo Vc está certo, bicicletas não são solução para o trânsito ou poluição. Só são e serão usadas como solução econômica. Já o José Ribeiro deixou claro que não gosta de carro e conhece bem o Guarujá. Será que ele desce a Serra de Bike ou no busão rodoviário via Jabaquara?
Daniel Ricardo Agradeço sua preocupação e garanto que minha saúde é excelente.
Continuando...
Bloquear ruas? Primeiro isso eu nunca vi ciclistas ou "cicloativistas" fazerem. Se sua argumentação se refere a Bicicletada, aquele passeio que ocorre uma vez por mês, onde cerca de 600 ciclistas pedalam pelas ruas de São Paulo, saiba que a velocidade média imposta numa bicicletada é superior a média que os carros imprimem nos horários de pico, nos demais dias do mês. Ou seja, se existe um veículo que bloqueia as ruas de São Paulo, definitivamente não é a bicicleta.
Bloquear um cruzamento enquanto um grupo grande de ciclistas passa, isso tá dentro da lei. Aliás o motorista que interrompe uma aglomeração de pessoas e veículos, esse sim está desrrespeitando o CTB. Portanto se estiver com seu carrão por São Paulo e por infelicidade, a massa de ciclistas passar por você faça o que a lei manda, aguarde a massa passar, mesmo se o semáforo abrir para você.
Finalizando e parafraseando o "Aspira" da Tropa de Elite, "Voce está se baseando só em histórinhas que contam na TV e desconhece a realidade." Antes de falar o que pensa, se informe sobre melhor sobre um movimento que tem quase 10 anos e se tem tanta gente apoiando, com certeza não é porque essa massa inteira é formada por pessoas estúpidas, um bom motivo realmente há.
Se informe e não precisa de muito, uma simples conexão a rede mundial é mais que suficiente.
Ah... Eu desço e subo pedalando se preciso. E adoro quando cruzo a balsa entre Santos e Guaruja no final da tarde, ver 200 ciclistas lotando uma balsa e saindo em massa pelas ruas do Guaruja não tem preço.
Ah, e não esqueça de liberar o outro Post que vem antes desse continuando...
Vc deve ter notado, aqui não há moderação prévia de comentários...
Quanto a travessia: Verdade, uma multidão atravessa de bike Guarujá para Santos e vice-versa para trabalhar. É uma coisa interessante sim, uso prático. Só não dá para dizer que "não tem preço": Isto custa sim, o preço da gratuidade para as bicicletas ( você nunca deve ter feito a travessia de bike, então lhe digo: Bicicletas não pagam! ) está embutido no preço que os veículos normais pagam na travessia.
Sinto aqui um certo ÓDIO represado a motoristas, uma vontadezinha de ofender o autor de uma opinião respeitosa, ou o quê?
Tenho nada contra bicicleta, não. Só pediria que o tal do ar puro, da liberdade e da consciência ecológica mundial não se tornem salvo-conduto pra andar por aí com um movimento AGRESSIVO. Se continuar com esse linguajar, essa postura, a coisa não prospera. Que tipo de imagem vocês querem?
Precisa respeitar os carros, sim, e precisa respeitar os pedestres. E precisa ter um mínimo de miolos pra saber onde se pode andar com segurança numa cidade como SP.
Em tempo: hoje quase que uma bicicleta - a toda - me atropelou. Na faixa.
Já sei: são casos isolados. Mas peço que vejam assim também os motoristas de automóveis. Nem todos são inimigos de quem quer que seja.
Só se pede bom senso. A todo mundo. A começar pelo relacionamento interpessoal.
Isso não é verdade. Não dá pra tomar como exemplo o fato de algumas ruas não serem planas como um fator impeditivo geral.
Moro em SP e uso a bicicleta para ir e voltar do trabalho. No meu caso, o caminho é plano e tem 10 km. Então, não é porque há lugares em SP em que a bicicleta não é, supostamente, adequada, que eu não posso usa-la no meu trajeto, é? (trajeto esse perfeito pra bike, e péssimo pra carro, pois fica tudo parado no horario de pico).
Pra vc ter uma ideia, demorava, de carro, até 1:30h e agora demoro sempre 40 minutos.
Não sou ativista, e minha bicicleta não custa 2000. Mas ainda que custasse, um carro custa bem mais. E o meu carro eu vendi.
E não é que eu não esteja preocupado com a qualidade do ar, e essas coisas, mas os unicos motivos que me levaram a trocar o carro pela bicicleta foram:
1) O tempo. Qualquer dia do ano eu chego exatamente em 40 minutos, e posso ficar mais tempo com minha familia, ao inves de ficar preso no transito.
2) O dinheiro. Estacionamento perto do meu trabalho chega acustar 200 reais mensais! Fora ipva, gasolina, manutenção, etc.
3) Saúde. Dispensa comentários.
Primeiro... Há sim moderação, mandei um texto com dois links e por isso eles devem ter sido moderados.
Segundo... Não tenho ódio de motoristas, só acho que as cidades não devem ser feitas para eles e sim para as pessoas. Poucos conseguem ter um carro de 10 mil reais, mas andar a pé e numa bicicleta de 100 reais, 99% da população consegue. Portanto a cidade tem que ser justa. Quer dirigir? Isso é um problema seu, mas se recusar a compartilhar a via como manda a lei, se recusar a proteger o ciclista como manda a lei, isso eu não admito. E usar as infrações que um ciclista comete (na maioria dos casos para se proteger de uma cidade que o marginaliza) para justificar uma tentativa de assassinato, jamais vou aceitar.
Ah, apesar de ser ciclista, uma tia-avó minha foi atropelada por um ciclista na contramão. E depois disso teve várias complicações, morrendo após 2 anos. Não é porque um ciclista é estúpido que eu vou achar que todos são. Como não é porque um motorista estúpido, vou achar que todos são. Aliás, quero parabenizar os motoristas de São Paulo, pois cada vez mais me sinto mais seguro para pedalar, já que a maioria dos nossos motoristas respeitam e protegem os ciclistas como manda a lei.
Terceiro... Ciclista não paga a balsa (ainda bem). Se todos que usam a bicicleta hoje no Guaruja, trocassem suas bicicletas por Motos ou Carros, aí sim você veria o que é prejuízo para a cidade.
O que se gasta com acidentes de trânsito envolvendo carros e principalmente motos, com custos de saúde pública por doenças motivadas pelo sedentarismo ou mesmo por doenças respiratórias devido aos problemas da poluição dos carros (Em são paulo 12 pessoas morrem diariamente graças aos efeitos da poluição e em épocas de estiagem como agora, esse número sobe para 20), todos esses custos não chegam a 10% do que é arrecadado com o IPVA.
Aliás uma correção, IPVA é imposto sobre propriedade do veículo e não da rua, como alguns motoristas infelizmente assim consideram.
Ou seja, dê graças a Deus que há tantos ciclistas no Guarujá, pois se vocês tivessem a taxa de motorização de São Paulo, os custos sociais seriam monstruosos. Assim sendo, um ciclista deveria não pagar mais impostos e tão pouco um "pedágio" na balsa e sim receber dinheiro, de preferência daqueles que realmente trazem transtornos para as cidades.
Ah, sobre Bicicletada no Capão...
http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias72.asp
Esse link está naquele post retido. Veja o que os "cicloativistas" fizeram quando retiraram o acostamento da Marginal Pinheiros, num local que passavam mais de 100 ciclistas por hora, a maioria que iam rumo ao Capão.
Ah, tá. Então você chegou onde eu queria chegar: Se há ciclistas que não fazem a mínima ideia de como se conduzir no trânsito, o mesmo raciocínio posso usar para motoristas.
O problema, então, não é "O" automóvel ou "A" bicicleta. É questão de educação geral.
Do que posso concluir que, se um dia, utopicamente, a cidade se encher de bicicletas, continuaremos com o mesmo problema de dominação no trânsito.
(e você continua agressivo... Isso não é nada bom para a imagem das bicicletas.)
(Que bom que você vendeu seu carro. Meus pais são idosos, não posso fazer o mesmo.)
Prezada Leticia,
Ninguém quer que você venda o seu carro. Sem dúvida, você pode precisar dele para transportar seus pais idosos e para outras coisas menos importantes também.
Lógico, cabe a você decidir se vale a pena usá-lo pra tudo. Eu, por exemplo, decidi parar de usar o carro para trabalhar porque percebi que não era bom para mim.
Perdia muito tempo no trânsito, ficava estressado, e gastava dinheiro a toa.
Primeiro, passei a usar o transporte público. Dizem que é péssimo, mas depende. Do meu bairro para meu trabalho não é ruim. Normalmente, quanto mais pobre o bairro, pior é o transporte público. Mas quanto melhor o bairro, mais gente usa o carro como trasnporte. gozado, não?
Depois de um tempo, passei a fazer parte do trajeto - até o metrô - de bicicleta. Lá deixava a bike no bicicletario, e seguia de metrô pro trabalho (assim como disse o "Da CIA").
Só que fazendo isso por um tempo, vi que era tranquilo pedalar em São Paulo(pelo menos mais tranquilo do que imaginava). Assim, decidi tentar uma vez ir direto pro trabalho, sem pegar o metro.
Um amigo, ciclista experiente, me ajudou a montar a rota, e quando fui, descobri que era bem mais tranquilo do que imaginava. Além de tudo, ao contrario do carro, eu desestressava pelo caminho. Daí, passei a vir diariamente de bike.
Essa é minha experiencia pessoal. Não quero obrigar ninguem a fazer igual a mim (embora eu sinceramente recomende).
Mas quero ter o meu direito de pedalar na rua respeitado. Só isso. Não peço grandes obras, pista exclusiva, nada disso.
Só quero que os motoristas e motociclistas me respeitem e respeitem o Código de Trânsito Brasileiro (veja o art. 38 - paragrafo unico, 58, 96 201, entre outros).
Abraço
Desculpem pelo email anterior longo.
Só a propósito da suposta agressividade dos cicloativistas, é bom lembrar que o título do post chama o cicloativismo de "ridículo". Lógico que isso é direito do blogueiro, afinal, o blog é dele e ele escreve o que quiser. Mas não deixa de ser agressivo, né?
De qualquer modo, é legal por propiciar o debate aberto.
Saudações cordiais.
O mais curioso é que eu sempre morei em Guarujá e trabalho na Grande São Paulo há 10 anos. Nos últimos 6 anos, o primeiro quilômetro e meio que faço para ir ao trabalho, faço de bicicleta!! Sim: Vou de minha casa até o ponto em que pego o Fretado de bicicleta, é uma distância que daria para fazer andando, mas andar rápico com sapato social é muito ruim ( e vocês podem imaginar como é ridículo alguém de roupa social andando numa bicicleta velha. Tem que ser velha pois senão roubam-na no estacionamento! ).
Nunca quis criar aqui uma guerrinha ciclistas x motoristas porque sou as duas coisas. O que disse no post original e continuo dizendo é que o cicloativismo ( que deixei bem claro ser diferente de usar a bicicleta em seu cotidiano de forma utilitária ) é apenas um "engajamento de grife", ainda mais numa cidade como São Paulo, com pouca aplicação prática.
Tem uma coisa mais que prejudica o uso de bicicleta em São Paulo e que esqueci de ressaltar: Os altíssimos índices pluviométricos. Alguém consegue ir de bicicleta para o trabalho no Verão com suas chuvas? Lógico que não, nesta hora todos apelam para o carro ou busão.
Rafael, uma coisa é achar o cicloativismo ridículo. Outra é atacar o blogueiro pessoalmente, sem sequer conhecê-lo (não é sedentário, muito menos obeso, não cospe besteiras, escreve rápido à beça, trabalha e ainda arruma tempo pra cuidar bem da família e surfar).
À bicicleta: como disse, moro bem em cima de um morro. Se morasse no plano, teria mantido minha bicicleta velha, mas não deu, porque aqui há quebradas muito íngremes. Passei a dirigir quando meus pais vieram morar no meu prédio. Não deixo, por exemplo, eles irem de Metrô até o Tatuapé, porque usuário de transporte público também pode ser bem mal-educado.
E tudo o que posso fazer sozinha a pé ou de metrô.
O que defendo aqui é que não dá pra gente dividir o mundo em categorias a serem consumidas umas pelas outras. Senão, estaremos usando a mesma linguagem opressiva que hoje usa no geralzão do trânsito de automóvel.
Tá, até acho um pouco lúdico ver bandos de ciclistas passando (ainda que desrespeitem o sinal). Faz parte. Mas demonizar essa ou aquela categoria e, pior, desafiá-la zigezagueando por entre os carros, como caso de alguns ciclistas, em nome de uma minoria "vitimazada", também não é razoável.
Tudo na paz e aos poucos, tomando primeiro para si a responsabilidade de uma boa convivência geral, acho que fica bem melhor.
Valeu Letícia!!! ;)
Ângelo,
Com o perdão da ignorância, o q é uma "barraforte"?
Morena Flor É uma bicicleta bastante robusta, muito pesada e forte. Por isto é usada, aqui em SP, por pessoas que têm empregos braçais e carregam suas ferramentas, roupas, etc. na bicicleta.
Morena Flor Da Direita pra esquerda, a segunda bike é um modelo antigo da Barra Forte. http://2.bp.blogspot.com/--8TNONsdMFo/TjMeQkHiz9I/AAAAAAAABBQ/6GRV31b3LCk/s1600/28072011172_red.jpg
Infelizmente esses tais "cicloativistas" não estão restritos a São Paulo. Acredito que a "massa crítica" de Porto Alegre já seja pelo menos a 2a ou a 3a maior do país, e como eu moro perto de onde costumam passar eu vejo bem os transtornos que eles causam ao trânsito, tanto dos automóveis particulares quanto de ônibus lotados de trabalhadores ansiosos por voltar à casa depois de uma semana inteira de trabalho enquanto um bando de playboys desfilando em bicicletas que custam mais do que uma moto de 100cc (que já seria objeto de desejo de um trabalhador) e ainda ficam enfeitando com lampadinhas coloridas caras mas sem uma intensidade luminosa decente para sinalização (e ainda querem trafegar à noite junto aos carros), selins de gel, pneus mais caros que os de um carro simples ou de uma moto, se achando "anti-capitalista" por atrapalhar os motoristas. O pior é que, devido a toda essa "moda" de parecer "politicamente correto", acabaram ganhando alguma força depois que aquele maluco do Golf preto forçou a passagem em meio ao grupo de bicicleteiros...
http://cripplerooster.blogspot.com/2011/06/consideracoes-sobre-os-cicloativistas-e.html
Obrigada por responder, Ângelo!
:)
"...aquela olhada 'brava'..."
Não és jornalista, acadêmico, intelectual... Nem mesmo frequentastes a escola pelo visto.
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