Nos últimos anos têm feito sucesso nas livrarias títulos que tratam de períodos ou fatos históricos importantes do Brasil. "1808" e "1822" de Laurentino Gomes, "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" de Leandro Narloch ( que também acaba de lançar já com sucesso de vendas o "Guia Politicamente Incorreto da História da América Latina" )e "Saga Brasileira" de Miriam Leitão são exemplos recentes que comprovam o interesse dos consumidores de livros em descobrir detalhes e curiosidades da nossa história.
Porém, se há uma época ou sucessão de eventos de nossa história totalmente pouco valorizada, estudada e mesmo admirada é a de nossos praças da Força Expedicionária Brasileira.
O Brasil na Segunda Guerra Mundial
Por volta da década de 40 dificilmente alguém, olhando para a América do Sul, apontaria o Brasil como o país do futuro. Esse país era a Argentina que apresentava números de desenvolvimento econômico e humano dignos da Europa ( talvez tenha vindo desta época a empáfia que ajuda a alimentar a richa entre nós e nossos vizinhos ). O mundo não esperava ou exigia grandes coisas do Brasil quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial e, como é de se esperar nestes casos, não fizemos nada de relevante mesmo: Nosso ditador Getúlio Vargas era atraído fortemente pelo magnetismo da eficiência totalitária dos regimes nazistas e fascistas. Embora simpatizante dos regimes, Getúlio não chegou a tomar partido e adotou uma covarde neutralidade em relação ao conflito.
Uma versão amenizadora da atitude de Getúlio é tomá-la por pragmatismo comercial devido à nossa posição comercial estratégica. Conforme a Guerra avançava e novas forças entravam no tabuleiro ficava cada vez mais claro que a opção de nosso ditador tinha muito mais motivações políticas, tanto pelo desejo de encarnar a autoridade ampla que Hitler e Stálin tinham sobre seu povo quanto por haver do outro lado uma grande frente de democracias ocidentais que poderiam ser um mau exemplo para os brasileiros. Só que esta neutralidade não tinha como durar para sempre...
Em 1941 dois eventos não-relacionados deram início à entrada do país na Guerra. Primeiro foi um ataque aéreo por forças alemãs ao navio mercante Taubaté no mês de março, que resultou em nossa primeira baixa na Guerra. Por fim veio em dezembro o ataque a Pearl Harbor, o que fez com que os EUA começassem a pressionar toda a América para tomar posição na Guerra.
Foi somente sob a força e pressão dos EUA que Getúlio, em janeiro de 42, rompeu relações com o Eixo e cedeu bases para os EUA . Nesta época muitos outros países da América tinham ido além e declarado Guerra ao eixo, ainda assim Getúlio manteve sua postura covarde. O vexame só foi corrigido alguns meses depois quando em poucos dias mais de 600 brasileiros morreram em navios que naufragaram sob ataques do Eixo. A pusilanimidade cedeu à pressão econômica e, por fim, à pressão popular. O Brasil enfim declarava Guerra ao Eixo.
Com sua Força Militar ultrapassada e mal estruturada, demorou-se muito para formar a Força Expedicionária Brasileira. Equipamentos novos foram comprados, militares foram aos EUA atualizar-se, as tropas foram treinadas e então em setembro de 1944 o Brasil mandava definitivamente seus primeiros soldados à batalha mais sangrenta e marcante do século XX.
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O que foi dito acima é sabido, embora a História comumente contada costume ser mais amena em relação a Getúlio. Mas, e quanto aos soldados, os brasileiros que estiveram nos campos de batalha?
Muito pouco se sabe e quase nada se valoriza. Apesar de nosso ditador pusilânime, brasileiros participaram no lado certo do evento definidor do século XX. E no entanto, quais são os monumentos a eles? Quantas são as avenidas ou cidades que honram a memória destes que serviram menos ao país e muito mais a civilização livre? Quantos suburbanos pobres, jovens de futuro se expuseram nos campos de batalha? Pelo que passaram?
Ao retratar a história de alguns praças brasileiros, a WebSérie HERÓIS representa um marco. O Cinema e as telenovelas já contaram muitas vezes a história de brasileiros que, na luta pela implantação de uma ditadura comunista, deram suas vidas e tiraram muitas de outros brasileiros. Já ter cuidado na produção de algo sobre brasileiros que lutaram contra algumas das piores ditaduras do mundo, isto é praticamente inédito.
Em capítulos curtos, a série consegue enfrentar com muita dignidade suas limitações e o resultado é uma boa produção. Confesso que antes mesmo de ver os 5 episódios já tinha uma opinião positiva devido ao tema mas posso garantir após ter visto tudo que ela vale muito a pena, e isto só reforça a obrigação que senti de recomendá-la
Quem foram os brasileiros que lutaram na 2a Guerra Mundial? O que enfrentou a Força Expedicionária Brasileira? Como brasileiros do passado cruzaram o Atlântico para participar de uma guerra que não era nossa, mas dizia respeito a toda a humanidade? A WebSérie Heróis é um excelente passo inicial no resgate do esquecimento a que foram deixados tanto os mais de dois mil mortos em combate ou por consequências dele quanto todos os nossos mais de 27 mil combatentes.
WebSérie HERÓIS:
Episódio 1 - http://www.youtube.com/watch?v=D3a6YLcP-u4
Episódio 2 - http://www.youtube.com/watch?v=f2viLKc8EkE
Episódio 3 - http://www.youtube.com/watch?v=booewhK9e9Y
Episódio 4 - http://www.youtube.com/watch?v=HZUxhjchCyc
Episódio 5 - http://www.youtube.com/watch?v=8QJDet7wJpY
CONHEÇAM TAMBÉM - Site dedicado à memória da FEB: http://www.anvfeb.com.br/
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